O alojamento improvisado funciona em uma galpão em um antigo bar na rua Lituânia, no Jardim Europa, em Sorocaba. Higiene no local é precária. São 50 trabalhadores, vindos do Nordeste, que se dividem em colchões amontoados. Eles foram contratados para trabalhar na construção de um condomínio de prédios. Muitos vieram em busca de condições melhores de oportunidade. Só que aqui, depararam com outra realidade.
José Augusto Moraes tem 40 anos e é de Porto Alegre do Piauí. Pedreiro, casado e pai de quatro filhos, buscou a realização de um sonho em Sorocaba, onde esteve pela primeira vez há 30 anos. Com o dinheiro prometido, iria investir onde mora e ajudaria nas despesas da casa. Mas até agora, nada foi cumprido. "Há 50 dias não recebo salário, chego a passar fome nesse lugar", conta o pedreiro. Ele diz ainda que, sem condições financeiras se torna inviável o retorno à terra natal.
Outro trabalhador que enfrenta a mesma situação é Manoel Batista Pereira. Com 19 anos, casado e pai de duas filhas, buscou uma chance em melhorar de vida, mas até agora, não recebe o salário combinado. "O dinheiro que recebi pelo trabalho ultimamente só deu para comprar alguns produtos para comer". Manoel conta que o vale foi de R$ 150.
Experiência que se repete com Michael. Solteiro, conta que optou por um emprego onde pudesse ganhar dinheiro e ter uma vida melhor. "Não imagina que fosse passar fome na cidade".
A rotina dos trabalhadores se restringe ao trabalho e união entre eles mesmo. No galpão de dois andares, existem apenas dois banheiros. Cada um com um metro quadrado. O pequeno espaço é dividido entre o chuveiro e o vaso sanitário. Os beliches ou mesmo, colchões que ficam espalhados pelo chão são revestidos com pedaços de lençol. A maior preocupação é em relação a água potável. Utilizam uma torneira que funciona na entrada do imóvel.
Pelo contrato feito com terceiros do estado de origem, eles têm direito ao café da manhã, almoço e jantar. As refeições são servidas na própria construção onde trabalham. Eles contaram ao TEMMAIS.COM que no período da noite, sentem fome. "Muitas vezes, chegamos a dormir com fome e esperamos o amanhecer para que possamos comer na construção", desabafa o pedreiro José Augusto. Para lavar as roupas, eles utilizam uma pia que divide os banheiros.
Na manhã desta quinta-feira (10), representantes do Ministério do Trabalho estiveram no imóvel e conversaram com os trabalhadores segundo eles. Ficou decidido que será realizada uma audiência na sexta (11), às 14h, na sede do Ministério do Trabalho. "Já que fomos enganados, queremos retornar ao nosso estado de origem e receber o que temos direito", finaliza o representante dos trabalhadores, José Augusto Moraes.