A morosidade da justiça e a falta de consciência ambiental resultaram em protesto em Itapuí. Integrantes da Associação Ambiental "Bica de Pedra" jogaram esgoto na calçada e na entrada da prefeitura.
O que já é realidade em muitos municípios do estado, em Itapuí não consegue sair do papel. A falta de tratamento de esgoto e as consequências ao meio ambiente deram origem a vários processos na justiça.
Há 18 anos o Ministério Público entrou com uma ação civil pública ambiental, obrigando a prefeitura a tratar todos os efluentes da rede de esgoto do município.
Como ao longo dos anos, a determinação da justiça nunca foi cumprida, a cidade tem uma dívida que já chega a R$40 mil, por causa das multas aplicadas.
Desde abril deste ano o prefeito José Gilberto Saggioro corre o risco de perder o cargo e os direitos políticos por improbidade administrativa e ainda pagar multa de até 100 vezes o valor do salário que recebe como prefeito.
No meio ambiente, os prejuízos causados pela lançamento de esgoto sem tratamento são grandes. Antonio Edmundo nasceu e foi criado em Itapuí. Ele tem 65 anos e conta que no córrego "bica de pedra" tinha peixe.
A demora da justiça em exigir o cumprimento das sentenças dadas ao longo dos anos e a falta de interesse do executivo e legislativo em resolver o problema, levaram alguns moradores da cidade a protestar. Eles coletaram água contaminada por esgoto no córrego bica de pedra.
Depois, passaram pelo centro da cidade rumo à prefeitura, onde jogaram água poluída pelo esgoto que tanto incomoda na calçada em frente ao prédio. Os moradores despejaram cerca de 200 litros de esgoto na porta da prefeitura. Alguns moradores reclamam que todo mês são cobrados R$4,50 pelo serviço de rede de esgoto, que não existe.
O prefeito José Gilberto Saggioro não quis falar sobre o protesto. Ele divulgou nota de repúdio onde chama de vandalismo o ato dos ambientalistas. Diz ainda que registrou boletim de ocorrência contra a Associação "Bica de Pedra".
Quanto ao tratamento de esgoto, o prefeito afirma que em abril de 2008 assinou convênio com o governo do estado, e que o projeto encontra-se na secretaria de meio ambiente para avaliação e aprovação.