O Ministério Público do Trabalho, de Bauru, quer que usinas do estado monitorem a temperatura no meio dos canaviais. Se o calor estiver forte, o corte deve ser interrompido para evitar danos à saúde do trabalhador.
O calor é de 34 graus, mas no meio do canavial, a sensação térmica chega a 38. "Se a gente pudesse escolher trabalhar na sombra a gente trabalhava, mas não dá. E a gente só sabe fazer isso, tem que comer", reclama Aparecido José Bibiano.
O tempo seco, a fuligem e a poeira prejudicam a saúde e a produção dos cortadores. Por dia, alguns chegam a cortar, em média, 10 toneladas de cana de açúcar. Maria trabalha no campo há mais de 20 anos, e diz que sente a diferença em dias quentes e secos, quando a umidade cai abaixo de 20%.
O risco para a saúde dos cortadores levou o Ministério Público do Trabalho, depois de fiscalizações, a entrar com ação civil pública contra duas usinas do estado. No meio do canavial não há sombra e os cortadores de cana não tem outra opção, senão enfrentar o sol escaldante. É por isso que o Ministério Público do Trabalho quer impedir que eles sejam expostos a altas temperaturas. A ação pede que as usinas interrompam o corte em caso de calor excessivo.
Para o promotor, os trabalhadores não podem ser submetidos à temperaturas que chegam a 37 graus na sombra. Uma situação extrema que pode causar desde câimbras, até perda da consciência e levar à morte. Por enquanto, o jeito é torcer para que a chuva chegue logo e o inverno volte a ser mais frio.
Em nota, a direção da usina Nova América, pertencente ao grupo Cosan, informou que, embora tenha havido uma conversa preliminar com o Ministério Público, ainda não foi notificada oficialmente sobre a ação. Disse ainda, que os cortadores são orientados a fazer três pausas diárias para descanso e refeições, e que todos passam por exames periódicos. A outra usina citada na ação é a Parapuã Agroindustrial, na região de Presidente Prudente.