Um empréstimo para pagar juros de dívidas milionárias feito pela Associação Beneficente dos Hospitais Sorocabana poderá prejudicar o funcionamento da unidade, em Botucatu. Nesta terça, em uma manobra para tentar impedir que o atendimento na saúde pública entre em colapso na cidade, o prefeito João Cury desapropriou o prédio do hospital. Dois diretores também pediram demissão.
O salão do hospital estava cheio de funcionários. Foi durante a reunião que eles ficaram sabendo que a administradora e o diretor clínico pediram demissão. Eles concordam com o empréstimo de R$2,5 milhões feito em um banco na capital, pela superintendência em São Paulo, sem o conhecimento da administração do hospital de Botucatu.
Para o ex-diretor clínico, as prestações podem comprometer o funcionamento da unidade. A maior preocupação dos 120 trabalhadores é saber qual será o futuro do Hospital Sorocabana na cidade. Soraia Alonso está grávida de 6 meses e não sabe como será daqui para frente.
Para o superintendente da Associação Beneficente dos Hospitais Sorocabana, Carlos Amorim, o empréstimo foi necessário para pagar parte da dívida de R$15 milhões do hospital em São Paulo. São atendidos no local, quase mil pessoas por mês. São 30 internações por dia. 70 cirurgias por mês.
Quem depende do serviço do hospital lamenta a situação. Uma das saídas apontadas para resolver parte do problema é a desapropriação do prédio. O ato foi assinado hoje a tarde pelo prefeito João Cury.