Adrenalina e paisagens bem preservadas são alguns dos ingredientes do turismo de aventura, que tem sempre caráter recreativo e não competitivo. As atividades, que podem ser feitas em terra, água ou ar, exigem algum preparo físico e uma boa dose de coragem. As cidades paulistas de Brotas, Boituva, Iporanga e Socorro estão entre os principais destinos dos turistas que procuram atividades fora dos grandes centros urbanos. A oferta de atividades é grande. Cabe ao visitante escolher a que mais lhe agrada e o nível de dificuldade que deseja enfrentar.
O número de turistas que buscam atividades de aventura tem crescido nos últimos anos em todo o país, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo (Abeta), que reúne 324 empresas. A associação não tem ainda os números de turistas que recorreram às operadoras de turismo de aventura em 2010, mas, em 2009, 5,3 milhões de turistas brasileiros e estrangeiros aproveitaram o contato com a natureza para praticar alguma modalidade de aventura em todo o país. A Abeta não tem uma estimativa do número de turistas que participaram dessas atividades no estado de São Paulo.
O risco da prática de esportes de aventura existe, mas o turista deve ficar atento e respeitar os procedimentos de segurança. Estão entre as principais opções de atividades: rafting, boia-cross, canionismo, cachoeirismo, caminhadas, rapel, arvorismo, cicloturismo, circuito de tirolesas (veja no fim do texto a descrição deles). A escolha de operadoras de turismo certificadas também é condição necessária para evitar acidentes.
Para todas as atividades, é possível escolher o nível de dificuldade ao qual o turista se adapta melhor. Há algumas que podem ser praticadas por pessoas de todas as faixas etárias. Acompanhadas dos pais, crianças maiores de 3 anos podem praticar uma modalidade menos radical do rafting, conhecida como floating. Em um bote, elas passeiam em um trecho não acidentado do rio. “Nós já levamos para fazer rafting até uma pessoa de 85 anos”, afirma instrutor Paulo Henrique Salles de Oliveira, da operadora de Turismo de Aventura Território Selvagem- Canoar, de Brotas, no interior de São Paulo.
O empresário William Toledo Filho, de 32 anos, passou três dias em Brotas e aprovou a infraestrutura da cidade para a prática de turismo de aventura. Ele, que viajou acompanhado de três filhos com idades entre 8 e 10 anos e da esposa, afirmou que os programas são adaptados a todas as faixas etárias. “Eu fiz canionismo e minhas crianças também. Elas foram acompanhadas de um monitor e adoraram. O medroso da história sou eu. Por eles, nas semana que vem nós já iríamos de novo”, ironiza.
Brotas
A 246 km da capital paulista, Brotas é considerada a capital do turismo de aventura de São Paulo. O relevo de Cuestas Basálticas, com Mata Atlântica em suas encostas, aliado a um rico potencial hidrográfico, formam o cenário para a prática de esportes de aventura com diferentes níveis de dificuldade. A cidade tem muitas cachoeiras, nascentes de água cristalina, além do Rio Jacaré com suas corredeiras e afluentes. Entre as muitas atividades de aventura, o turista pode praticar rafting, boia-cross, canionismo, cachoeirismo, caminhadas, rapel, arvorismo, cicloturismo, circuito de tirolesas, cavalgada, quadriciclo. A cidade conta com uma boa infraestrutura de hospedagem. O acesso também é fácil por meio das rodovias dos Bandeirantes, Anhanguera e Washington Luís.
Boituva
A cidade de Boituva, a 121 Km da capital paulista, é o destino certo para quem gosta de praticar modalidade de turismo de aventura, como o paraquedismo e balonismo. O Centro Nacional de Paraquedismo, que fica a cerca de 2 km do Centro da cidade, é considerado referência nacional. Ele conta com 16 escolas homologadas para o ensino do esporte com instrutores habilitados e inspecionados pela Confederação Brasileira de Paraquedismo. O turista salta na companhia de um instrutor. Para chegar à altura de 3,8 mil metros, é preciso 15 minutos de voo. O salto em si tem 40 segundos de queda livre e leva de cinco a sete minutos com o paraquedas. Cada salto custa em média R$ 290.
O empresário, que também aproveitou para fazer a tirolesa e o rafting, garante que é possível controlar o medo e aproveitar a visita. “Dá medo, sim, mas, quando você chega na metade do caminho e todo mundo já foi, não dá mais para voltar atrás. O coração vai a mil.” A chave para enfrentar o medo é prestar atenção na orientação. “Os instrutores são bem prepados e passam orientações necessárias. Você se sente confiante”.
Socorro
A cidade de Socorro, a 134 km de São Paulo, também se tornou refúgio para os amantes da natureza que querem deixar o corre-corre das grandes cidades, mas não estão dispostos a percorrer longas distâncias. O município chega a receber cerca de 500 mil turistas por ano. A cidade oferece uma grande variedade de modalidades como rappel, arvorismo, tirolesa, rafting, boia-cross, caving, trekking e off-road. A cidade possui uma das maiores tirolesas do país, com 1 km de extensão, que liga a cidade a Bueno Brandão, em Minas Gerais. Ela passa por cima de uma cachoeira de 120 metros.
Uma vedete da cidade é a prática de rafting no Rio do Peixe, que pode atingir o nível de dificuldade 4 - o mais alto que pode se comercializar em pacotes turísticos. O passeio de quadriciclo, que custa cerca de R$ 100, é uma boa opção para apreciar a paisagem típica da Serra da Mantiqueira.
Um diferencial importante na cidade está no fato de que ela se adaptou para acolher pessoas com mobilidade reduzida. Socorro é considerado um município modelo de turismo acessível no país, que permite a deficientes e pessoas com problemas de locomoção fazer turismo de aventura. A cidade possui boa infraestrutura de hospedagem e gastronomia.
Iporanga
A cidade de Iporanga, a 303 km de São Paulo, é considerada a capital das cavernas - são mais de 350 catalogadas. Para que o turista possa apreciar a paisagem com calma, é interessante passar pelo menos um fim de semana na cidade, onde há uma rede de hotéis e campings. É preciso contratar um guia de turismo para visitar as cavernas e, geralmente, as pousadas indicam o profissional. Por um dia de visitação, eles cobram, em média, R$ 110, dependendo do roteiro e da experiência no ramo. É recomendável que o turista use calça, camiseta e tênis durante as visitas. Além do espeleoturismo, como é conhecida a exploração de grutas e cavernas, é possível praticar trekking e boia-cross.
No Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar) estão 300 cavernas - 12 delas abertas à visitação. Além do espeleoturismo, o lugar abriga trilhas e cachoeiras que garantem outros bons passeios. A visita a cada uma das cavernas costuma demorar cerca de duas horas. Cada visitante escolhe até três delas para explorar durante um dia. Os níveis de dificuldade são variáveis. Na Caverna de Santana, a mais visitada, há uma boa infraestrutura, como escadas que facilitam a visita e tornam o circuito bastante acessível. A caverna tem várias formações como estalactites e estalagmites. Já na Caverna da Água Suja, que tem aproximadamente 1.800 metros - 800 metros deles podem ser visitados. A carverna possui até uma cachoeira interna. O desafio é chegar até lá, o que exige uma caminhada na escuridão.